segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Resenha: Eclipse, de Hermes Coêlho

Uma Poesia Visceral que Incomoda e Cura
Se você procura uma leitura leve para passar o tempo, Eclipse (Editora Patuá) não é a escolha certa. O livro do poeta piauiense Hermes Coêlho é uma obra visceral que encerra a sua "Trilogia do Trauma". Ele entrega uma das experiências literárias mais intensas e carregadas de emoção dos últimos tempos.
Intensidade que Transborda
 
O livro nasce de um impacto profundo: o diagnóstico de HIV do autor. Longe de ser um lamento, Hermes transforma a dor, o estigma e o preconceito em poesia crua e corajosa. O leitor é arremessado em um turbilhão de sentimentos. Sentimos a solidão do isolamento, mas também a força da ressignificação.
A escrita é cirúrgica e desperta uma empatia quase física. É impossível terminar um poema sem se sentir tocado pelo peso do silêncio que a sociedade tenta impor.
A Luz que Segue o Eclipse
A grande força da obra está na metáfora do título. O eclipse é o momento em que a luz se esconde, representando a invisibilidade social de quem vive com o vírus. Porém, o fenômeno é transitório. A escuridão passa, e o brilho retorna.
Brincando com o silêncio da letra "H" (de Humano, Homossexual, HIV e Hermes), o autor guia o leitor por uma jornada que vai da dor profunda até a libertação espiritual.

🌒 Eclipse é uma leitura densa, urgente e transformadora. É um livro que machuca porque liberta, provando que a arte é a maior ferramenta de sobrevivência que temos. Prepare o coração antes de abrir a primeira página. 

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